12/09 - "Paris, Te Amo" e "Fotografia, Poemas e Textos"

Atualizado: 21 de Nov de 2020


Vinte e um cineastas de todo mundo, dirigem pequenas histórias românticas que se passam em Paris. A Fotografia, os poemas e os textos, foram gentilmente selecionados pelos integrantes da Confraria.






Filme | "Paris, Te Amo"



Esta imagem fará parte da discussão da nossa ciranda do dia 12/09/2020.




Fotografia | Anita y Marcos 62 años de amor


Material para leitura:


Amor em várias formas.


“Ritinha: - Mãe, se eu morrer cê chora? Glória: - Ih! Choro até secar.”


“Stella me confiou um segredo. Seja abençoada por isso. Hoje me visitou um modo de salvação. O que não for paciente, nem benigno, nem misericordioso, não será amor.”

“Glória chegou da rua e se estirou na cama: - Não aguento ficar velha, Gabriel, não aguento. Ele disse: Deixa eu cortar sua unha, todo mundo fica velho. - Mas eu fico do jeito pior. - Fica nada, que unha dura, dona Glorinha. A mão de Gabriel pegando um a um os dedos do seu pé, ela querendo segurar aquele instante de felicidade.”


“Doida pra chegar a novela das sete pra ver o Anselmo Vargas namorar a artista principal, Glória misturava ele com Castro Alves, com Gabriel e lambia o bom de ser gente que pode namorar.”


Do livro Cacos para um vitral, Adélia Prado.

Por Valéria Sangiorno




Filme 1 | Montmartre


Dirigido, escrito e protagonizado pelo realizador grego Bruno Podalydès, mostra um homem que quer estacionar seu carro enquanto reflete sobre suas atitudes e sobre a própria vida.


Material para leitura:


Soneto LXVI


Não te quero senão porque te quero

e de querer-te a não querer-te chego

e de esperar-te quando não te espero

passa meu coração do frio ao fogo.

Quero-te apenas porque a ti eu quero,

a ti odeio sem fim e, odiando-te, te suplico,

e a medida do meu amor viajante

é não ver-te e amar-te como um cego.

Consumirá talvez a luz de Janeiro,

o seu raio cruel, meu coração inteiro,

roubando-me a chave do sossego.

Nesta história apenas eu morro

e morrerei de amor porque te quero,

porque te quero, amor, a sangue e fogo.


Pablo Neruda

Por Lígia 




Filme 2 | Quais de Seine


A diretora de origem indiana Gurinder Chadha, fala da atração que surge entre um garoto francês e uma moça muçulmana. Estranhamento, compreensão e sinceridade caminham juntos neste simpático libelo de paz.

Material para leitura:


As Sem- Razões do Amor


Eu te amo porque te amo

Não precisas ser amante

E nem sempre sabes sê-lo

Eu te amo porque te amo

Amor é estado de graça

E com amor não se paga

Amor é dado de graça

É semeado no vento

Na cachoeira, no eclipse

Amor foge a dicionários

E a regulamentos vários 

Eu te amo porque eu te amo

Bastante ou demais a mim

Porque amor não se troca

Não se conjuga nem se ama

Porque amor é amor a nada

Feliz e forte em si mesmo

Amor é primo da morte

E da morte vencedor

Por mais que o matem (e matam)

A cada instante de amor


Drumond

Nícia Amorim




Filme 3 | Le Marais


O norte-americano Gus Van Sant, dirige com elegância e sensualidade. Mas a trama vai além do óbvio desejo que surge entre dois rapazes. Espiritualidade, destino e a procura por uma alma gêmea, independente do corpo e sexo em que ela se apresenta, eleva a discussão. 


Material para leitura:


Amor à primeira vista

  Ambos estão certos de que uma paixão súbita os uniu.  É bela essa certeza, mas é ainda mais bela a incerteza. Acham que por não terem se encontrado antes  nunca havia se passado nada entre eles. Mas e as ruas, escadas, corredores nos quais há muito talvez se tenham cruzado?  (...) Porque afinal cada começo  é só continuação  e o livro dos eventos  está sempre aberto no meio.


Wislawa Szymborska Por Léa Macedo




Filme 4 | Tuileries

Os irmãos Joel e Ethan Coen, criam o mais cômico dos segmentos. Steve Buscemi, é um turista que acaba no meio da pegação de um casal de namorados, numa estação de metrô e se vê envolvido num jogo de ciúmes e sedução.


Material para leitura:


Ama-me. Embora te pareça 

Demasiado intensa. E de asperezas.

E transitória se tu me repensas. 

(II, Júbilo, memória, noviciado de paixão)

Hilda Hilst

Por Léa Macedo




Filme 5 | Loin du 16e


Os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas, contam em Longe do 16º Distrito com o desempenho marcante da atriz colombiana indicada ao Oscar Catalina Sandino-Moreno. Emocionante, simples e bastante direto, comove com palavras escassas e olhares de muitos significados.


Material para leitura:


Retrato de um grande Amor


"Eternamente não é o que dura para sempre, mas sim o que dura um segundo, e é capaz de marcar tão fundo, que se faz impossível de esquecer "


Carlos Drummond de Andrade

Por Marta de Barros




Filme 6 | Porte de Choisy


O australiano Christopher Doyle, responde pelo mais surreal de todos os segmentos. Cabeleireiras orientais, desencontros, e a presença do diretor Barbet Schroeder, como ator, nos levam a um desfecho inusitado.


Material para leitura:


Li um dia, não sei onde

Li um dia, não sei onde,

Que em todos os namorados

Uns amam muito, e os outros

Contentam - se em ser amados

Fico a cismar pensativa

Neste mistério encantado...

Diga pra mim: de nós dois

Quem ama e quem é amado?...


Florbela Espanca

Por Ana Cláudia




Filme 7 | Bastille


A espanhola Isabel Coixet, fala da tentativa de um casal em crise de salvar a relação após descobrirem que a mulher está com câncer. As ótimas atuações de Miranda Richardson e de Sergio Castellitto, por si só, já valem a conferida.


Material para leitura:

A Carolina


Querida, ao pé do leito derradeiro

Em que descansas dessa longa vida,

Aqui venho e virei, pobre querida,

Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro

Que, a despeito de toda humana lida,

Fez a nossa existência apetecida

E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados

Da terra que nos viu passar unidos

E ora mortos nos deixa separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos

Pensamentos de vida formulados,

São pensamentos idos e vividos.


Machado de Assis

Por Sueli Prado




Filme 8 | Place des Victories

O diretor japonês Nobuhiro Suwa joga nos ombros da sempre excelente Juliette Binoche, a responsabilidade de nos conduzir pela dor e sofrimento de uma mãe que sofre pela morte recente do filho. Tudo é tão sensível, delicado e bem exposto e ainda conta com a participação de Willem Dafoe representando a ponte entre o Céu e a Terra.


Material para leitura:


Afora o teu amor

para mim